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Estudo para o Tatuquara prevê o aproveitamento do potencial ambiental   12 de dezembro de 2017

 

      Proposta de técnicos da Holanda e de Curitiba é ter a estrutura verde existente como ponto de partida para o planejamento da nova Caximba.

 

Estudo desenvolvido por urbanistas holandeses em conjunto com técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) aponta o aproveitamento do potencial ambiental da Bacia do Barigui, no extremo sul de Curitiba, como solução urbana para uma área com risco de degradação pelas ocupações irregulares existentes.

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A ação fez parte do New Town Lab Curitiba (o Laboratório da Cidade Nova) um workshop desenvolvido ao longo de uma semana (de 4 a 8/12) como parte de uma cooperação do Ippuc com o International New Town Institute (INTI), plataforma holandesa para pesquisa, educação e troca de conhecimento para novas cidades. O trabalho contou também com a participação do Gabinete do prefeito, das secretarias municipais de Obras Públicas e Meio Ambiente e da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab-CT). 
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"A proposta é ter a estrutura verde existente como ponto de partida para a nova Caximba, com um olhar diferenciado para o potencial ambiental da região", explicou o arquiteto Marco Vermeulen, integrante da equipe do INTI.

Pelo estudo proposto, a urbanização controlada da região às margens da Área de Proteção Ambiental (APA) do Barigui e entorno passa pela preservação das áreas de cheias com a formação de uma espécie de corredores verdes ligados à malha viária principal funcionando como estruturas de proteção e integração urbana, social, econômica e ambiental.

 

Mix urbano
Para organizar a estrutura habitacional da região, o arquiteto holandês Martin Sobota sugeriu um modelo de loteamentos que integre moradia, espaços de uso coletivo e que tenham espaço para a produção agrícola como suporte à subsistência. "A ideia é poder ter diferentes tipologias numa mesma quadra", disse.

A proposta do integrante do INTI segue os cinco princípios preconizados pela Agência da ONU para Assentamentos Humanos (UN-Habitat) voltados aos desafios crescentes de urbanização e adotados pela Conferência Habitat III, realizada em Quito, em 2016. São eles:

  1. Espaço adequado para as ruas e uma malha viária eficiente.
  2. Densidade adequada. Pelo menos 15 mil pessoas por km² (aproximadamente 150 pessoas /ha).
  3. Uso misto da terra. Pelo menos 40% do espaço deve ser alocado para uso econômico em qualquer vizinhança.
  4. Mistura social. Disponibilidade de casas em diferentes gamas de preços e posições em qualquer bairro para acomodar famílias com diferentes rendimentos; 20% a 50% com habitações de interesse social; e cada tipo de posse não deve ser superior a 50 por cento do total.
  5. Especialização limitada em uso da terra. Isso é para limitar blocos de função única ou bairros; blocos de função única devem cobrir menos de 10% de qualquer vizinhança.

    Na opinião do arquiteto Rodrigo Bandini, a intervenção proposta para a região da Caximba pode ser o gerador de um processo de integração do extremo sul de Curitiba. "Com a manutenção da Área de Proteção Ambiental e de corredores de integração ao longo dos eixos dos rios existentes a aposta é desencadear o processo de desenvolvimento urbano sustentável com integração social", observou.

    Comunidade

    Esse processo, segundo a especialista em projetos de integração social, Simone Rots, passa diretamente pelo envolvimento da comunidade com programas de autoconstrução de moradias, agricultura urbana e a potencialização de um mercado local. "São o que chamamos de 'red spots', centros multifuncionais que induzem a participação maior da sociedade. São projetos de conexão das formas de organização local", explica.

 

De acordo com o coordenador da equipe do Ippuc no New Town Lab Curitiba, arquiteto Mauro Magnabosco, as propostas apresentadas pelos integrantes do INTI são convergentes aos estudos e intenções da cidade. "Trata-se de uma área frágil, com pressão por ocupação, em que o município precisa ter o controle do processo".
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O presidente do Ippuc, Luiz Fernando Jamur, destacou a iniciativa conjunta com os holandeses como um passo importante para o início de um processo que terá como resultado o desenvolvimento ordenado de uma área sensível da cidade. "A sustentabilidade daquela região é uma das prioridades definidas pelo prefeito. Estamos estabelecendo diretrizes do projeto e os estudos são primeiros passos para que possamos buscar financiamentos e estabelecer parcerias de forma a consolidar este projeto como uma das referências para Curitiba".

"Tivemos um trabalho intenso ao longo de uma semana. Uma ação não somente feita por cinco integrantes de um instituto da Holanda, mas por um grupo de trabalho em conjunto com o Ippuc. Uma proposta que pode se transformar numa colaboração mais ampla num futuro próximo", avaliou o coordenador da equipe do International New Town Institute (INTI), Jorn Konijn. A reunião de encerramento do workshop foi realizada em 8/12 e contou com a participação da cônsul-geral adjunta do Reino dos Países Baixos em São Paulo, Nanna Stolze e do cônsul honorário da Holanda em Curitiba, Robert de Ruijter.

Além dos  coordenadores Jorn Konijn e Mauro Magnabosco, a equipe que atuou no estudo do New Town Lab Curitiba foi formada pelos técnicos do INTI Marco Vermeulen, arquiteto e urbanista, especialista em questões ambientais e hídricas; Martin Sobota, arquiteto e urbanista; Simone Rots, historiadora com foco em projetos de participação social e Rodrigo Bandini dos Santos, arquiteto e designer. De parte do Ippuc, compuseram a equipe as arquitetas Camila Muzzillo, Daniela Tahira e estagiárias Ana Laura Cruz, Mariana Kluppel e Jhessica Oliveira e Giulia Viana.

As reuniões também tiveram o suporte da Supervisão de Informações, coordenada por Liana Vallicelli, e da equipe da Assessoria de Relações Externas do Ippuc Silvana Vicelli Gioppo, Daniele Moraes, Denise Costa, Rosane Popp e Giovana Oliveira.